Teerão - O Irão considerou hoje escandaloso o plano de "deslocação forçada" dos habitantes da Faixa de Gaza, proposto pelo novo Presidente norte-americano, Donald Trump, como parte de um projecto para assumir o controlo do enclave palestiniano.
"O plano para esvaziar Gaza e submeter os palestinianos a uma deslocação forçada nos países vizinhos faz parte da continuação do regime sionista para aniquilar completamente a nação palestiniana", disse o porta-voz da diplomacia Iraniano, Esmaeil Baqaei, segundo a Lusa.
Trump propôs terça-feira, em conferência de imprensa em Washington com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, "assumir o controlo" da Faixa de Gaza e reconstruí-la, transformando-a na nova "Riviera do Médio Oriente", depois de realojar definitivamente nos países vizinhos os palestinianos.
Donald Trump disse ainda que os residentes da Faixa de Gaza "ficariam felizes" por sair, se tivessem a oportunidade de o fazer num "lugar agradável com fronteiras agradáveis".
O republicano não explicou como ou com que base legal executaria tal plano.
O alto comissário da ONU para os direitos humanos, Volker Türk, destacou quarta-feira, em resposta ao plano de Trump, que "qualquer deportação ou transferência forçada de pessoas sem base legal é estritamente proibida".
As organizações de defesa dos direitos humanos também reagiram, criticando a proposta da Casa Branca e considerando-a ilegal.
A Human Rights Watch enfatizou que o direito humanitário proíbe a deslocação da população de um território ocupado.
A guerra na Faixa de Gaza foi desencadeada por um ataque do movimento palestiniano Hamas em Israel em 07 de Outubro de 2023, que fez cerca de 1.200 mortos e 250 reféns.
Em retaliação, Israel lançou uma operação militar em grande escala que provocou mais de 47 mil mortos, na maioria civis, e a destruição da maioria das infra-estruturas do enclave, segundo as autoridades locais, controladas pelo Hamas desde 2007.
O conflito também provocou cerca de 1,9 milhões de deslocados, de acordo com a ONU.GAR